segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Agora sim, patrimônio do povo

trianon1
Duas décadas de espera e o Teatro Municipal Trianon é finalmente propriedade do povo de Campos. No dia 1º de fevereiro, a Prefeitura de Campos efetuou o pagamento da desapropriação da área de 18.727,47 metros quadrados na confluência das ruas Saldanha Marinho e Marechal Floriano, no Centro, em que foi construído o teatro. O montante de R$ 5.478.302,94 encerrou o processo que seguia, desde 1989, em litígio judicial na 4ª Vara Cível.
O diretor do Departamento de Processos Contenciosos e Administrativos da Procuradoria Geral do Município, José Quintino Barreto Neto, fala sobre o que representa este pagamento para o município. “O pagamento da desapropriação é uma vitória para o município. Vira-se uma página na história do Trianon. A prefeita Rosinha Garotinho concretizou um sonho e encerrou uma longa novela”, destacou.
Desapropriadas em caráter de urgência pelo então prefeito do município, Anthony Garotinho, as áreas foram avaliadas na época em NCz$ 102.396,63 (Cruzados Novos) corrigidos em Bônus do Tesouro Nacional (BTN) em outubro de 1989. Sem edificação de qualquer espécie, os terrenos foram considerados de utilidade pública e desapropriados em caráter de urgência.  “No decreto 50 de agosto de 1989 ficou definido que as despesas decorrentes correriam por conta de verba própria, mas elas foram pagas com recursos dos royalties. O governo municipal utilizou este recurso importante num patrimônio cultural”, salientou o secretário municipal de Controle e Orçamento, Suledil Bernardino.
A prefeita Rosinha Garotinho falou sobre a reforma do Trianon, a primeira depois de 12 anos: “O Garotinho fez esse teatro belíssimo para a cidade. Recuperando não o patrimônio histórico, que era o antigo Trianon, que tinha uma arquitetura muito diferente do novo Trianon. O antigo Trianon, para quem se lembra bem, era igual ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro, e foi demolido para ser feita uma agência bancária. Garotinho, numa luta intensa, conseguiu construir o novo teatro com uma arquitetura moderna, devolvendo o teatro para a cidade. Ele enfrentou muitos desafios ao ponto de a desapropriação só ter saído agora. Eu me lembro que, à época, o pessoal dizia que ele era louco em construir um teatro para mil lugares em Campos. Hoje, o Trianon é pequeno”, disse Rosinha.
A prefeita falou da satisfação que é pagar esta desapropriação. “Eu pago esta desapropriação com muita satisfação. É o teatro da cidade que traz grandes espetáculos, que fomenta a cultura na cidade. E, depois de 12 anos, é a primeira vez que o teatro passa por uma reforma. Estamos reformando todo o teatro para melhor atender os artistas e a todos que vão lá assistir aos espetáculos”, ressaltou Rosinha.
trianon
O prefeito de Campos à época, Anthony Garotinho – atualmente deputado federal – deu detalhes da negociação com os donos do terreno e com os presidentes do Bradesco.
— A desapropriação foi feita em 1989 para construir o novo Trianon. Ali era um lixão. No meio do coração de Campos jogavam lixo ali. Era uma coisa horrível. Tentei uma negociação com os donos do terreno e eles não queriam de jeito nenhum que a prefeitura pagasse o valor que valia. Eles queriam muito mais. Eu desapropriei e depositei em juízo. A avaliação foi feita pela Justiça e, no dia 1º de fevereiro, a prefeita Rosinha Garotinho pagou a desapropriação por aquela área ao lado do Jardim São Benedito. Não só aquela área. Tem uma área com outro terreno e uma rua no meio que, à época, foi feito para construir ali um Centro de Hospedagem”, contou Garotinho, que precisou ir a São Paulo para resolver a questão.

Fontes:

Nenhum comentário: